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Na prática

Como ler o impacto no seu negócio

Atualizado em 2026-05-19 · leitura ~8 min

A Trilha 1 explicou o quê. Esta trilha responde a pergunta que importa para o operador: quanto isso vai me custar (ou economizar)? A resposta depende de três variáveis: regime atual, mix de receita por CNAE e estrutura de custos com insumos formais. Esta página dá o passo a passo para destrinchar cada uma.

Passo a passo

  1. Identifique seu regime atual. Olhe o último DAS, DARF ou guia: você está no Simples Nacional (anexos I a V), Lucro Presumido ou Lucro Real. Anote a alíquota efetiva média dos últimos 12 meses — não a nominal da tabela. Para Simples, ela está no extrato do PGDAS-D.
  2. Mapeie o mix de receita. Se você fatura por mais de um CNAE, separe quanto vem de cada um. A reforma trata diferente serviços profissionais regulamentados (redução de 30%), saúde e educação (regimes específicos) versus comércio e indústria padrão.
  3. Estime a base de crédito. Some, dos últimos 12 meses, todos os gastos formais com fornecedores PJ: aluguel comercial, energia elétrica, internet, contador, software, marketing, frete. Esse total será sua base de crédito do IBS+CBS na nova sistemática.
  4. Aplique a alíquota nova. Faturamento × 26,5% (padrão) menos base de crédito × 26,5%. Para serviços regulamentados, troque por 18,55%.
  5. Compare com o regime atual. A diferença é o impacto líquido. Se for positivo, você paga mais com a reforma; se negativo, paga menos. Use a calculadora para iterar.

Calculadora carga atual × pós-reforma

Faça o cálculo dos passos 4 e 5 sem montar planilha. Aceita faturamento anual, CNAE-alvo e regime atual.

Abrir calculadora →

Tabela de referência: regime × impacto qualitativo

A tabela abaixo resume cenários típicos para faturamento anual de R$ 1,8 milhão (centro da maior faixa do Anexo III, e ponto sensível para a decisão entre Simples e Presumido). Os números são indicativos — o impacto real depende do mix de insumos formais.

Regime / AnexoCarga estimada atualCarga pós-reforma (s/ créditos)Carga pós-reforma (c/ 20% créditos)Impacto qualitativo
Simples — Anexo I
comércio
~16,0% ~16,0% ~16,0% Neutro — Simples mantido; pode optar por destacar IBS/CBS para B2B.
Simples — Anexo III
serviços com fator R
~13,5% ~13,5% ~13,5% Neutro — sem mudança imediata; vantagem competitiva mantida.
Simples — Anexo V
serviços sem fator R
~21,5% ~21,5% ~21,5% Neutro — mas cliente PJ tende a preferir prestador no Lucro Presumido que destaca IBS/CBS.
Lucro Presumido
serviços
~16,3% ~26,5% ~21,2% Pressão — alíquota nominal sobe; ganho de crédito amplo compensa parcialmente.
Lucro Presumido
serv. profissionais reg.
~16,3% ~18,6% ~14,8% Favorável — redução de 30% (art. 127) + créditos amplos.
Lucro Real
comércio com insumos
~22,0% ~26,5% ~21,2% Favorável — base de crédito maior compensa o aumento nominal.

Três leituras saem dessa tabela. Primeiro: o Simples não muda muito como matemática direta — mas muda em posicionamento competitivo, porque clientes PJ vão preferir fornecedor que destaque IBS/CBS para gerar crédito. Segundo: serviços profissionais regulamentados saem da reforma ganhando, por causa do redutor de 30%. Terceiro: empresa de Lucro Real com cadeia de insumos longa também ganha, porque agora aproveita crédito em itens que hoje não geravam (aluguel, energia, marketing).

Atenção ao período de transição

Entre 2027 e 2032, sua empresa convive com dois sistemas tributários simultâneos. A complexidade de conformidade aumenta antes de diminuir. Vale antecipar três providências:

Fontes: LC 214/2025 art. 1º, art. 127 (regime específico); LC 123/2006 (Simples Nacional, anexos I, III e V); estimativas de alíquota do Ministério da Fazenda (2024-2025); módulo pipelines/lib/reforma_dcf.py deste site, que parametriza os cálculos da tabela.
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A a Z: LC 214/2025 e tracker DOU