Hub vertical

TI — radiografia PME

Atualizado em 2026-05-19 · dados: RFB CNPJ 2026-03 (Nextcloud SERPRO+) · BCB SGS · LC 214/2025

Software, consultoria de TI, suporte técnico e processamento de dados — o setor PME mais concentrado geograficamente e o que mais se beneficia do Fator R no Simples Nacional.

Visão geral

342.205
CNPJ ativos
4.057
hexes H3 res 7 com presença
44,2%
concentração nos top 5 hexes
1,0
mediana PME-TI / contador no hex

TI é, dos três setores cobertos por este hub, o mais concentrado geograficamente: os cinco hexágonos H3 mais densos (São Paulo, Curitiba, Rio, Belo Horizonte, Brasília) respondem por 44,2% dos 342 mil estabelecimentos ativos, e os 20 maiores por 61%. Fora desse núcleo, há longa cauda em cidades médias com polos universitários (Florianópolis, Campinas, São Carlos, Recife/Porto Digital).

Sazonalidade de receita é fraca (contratos plurianuais de SaaS e consultoria suavizam fluxo), mas o setor tem alta variância de margem por empresa — fábricas de software vs. consultorias boutique vs. integradoras. A razão mediana PME-TI por contador no hex é de apenas 1,0, sinal de que o contador típico no Brasil ainda atende muito pouca TI e que a especialização vertical contábil para o setor é incipiente.

CNAEs cobertos neste setor

Recorte definido em pipelines/lib/cnae_alvo.py como CNAES_TI_J (Seção J — divisões 62 e 63):

PrefixoDescriçãoTributação típica (Simples)
6201Desenvolvimento de programas de computador sob encomendaAnexo III (com Fator R) · V (sem)
6202Desenvolvimento e licenciamento de programas customizáveisAnexo III · V
6203Desenvolvimento e licenciamento de programas não customizáveisAnexo III · V
6204Consultoria em tecnologia da informaçãoAnexo III · V
6209Suporte técnico, manutenção e outros serviços em TIAnexo III · V
6311Tratamento de dados, provedores de serviços de aplicaçãoAnexo III · V
6319Portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informaçãoAnexo III · V
6391 / 6399Agências de notícias e outras atividades de prestação de serviços de informaçãoAnexo III · V

TI quase sempre joga pelo Anexo III via Fator R (folha > 28% da receita) — patamar inicial 6%. PJ de sócio único sem funcionários, comum em consultoria solo, cai no Anexo V (15,5%) e tipicamente migra para Lucro Presumido quando ultrapassa R$ 300 mil/ano de receita.

Distribuição geográfica

41,6%
hexes "vazios"
30,0%
hexes "saturados"
16,1%
hexes "oceano azul"
12,3%
hexes "nicho"

A combinação alta concentração metropolitana + 16% de hexes "oceano azul" desenha um mapa peculiar: TI é o setor com maior fatia de hexes oceano azul entre os três deste hub. A leitura prática: existem cidades de porte médio (50–300 mil habitantes) com presença razoável de empresas de TI mas oferta contábil ainda escassa em verticalização TI — Maringá, Joinville, Juiz de Fora, Petrolina-Juazeiro aparecem nesse quartil.

Mapa interativo pendente. Dados-fonte em data/spatial/h3_res7_oceanos_2026-03.parquet (coluna n_ti). Próximos passos:
  1. Recolorir o mapa nacional do post-pilar por n_ti em escala log.
  2. Embedar como iframe estático seguindo padrão Folium do pipelines/lib/mapas_interativos.py.
  3. Cruzar com lista de incubadoras/parques tecnológicos para validar a tese "oceano azul" em TI.

Razão PME-TI / contador no setor

A mediana nacional de 1,0 estabelecimento TI por contador dentro do mesmo hex é a mais baixa dos três setores deste hub, mas o número engana: TI é o setor onde o cliente raramente contrata o contador do próprio hex. Por ser digital, escolhe escritórios online — exatamente o terreno onde a Contabilizei tem vantagem. A leitura geográfica precisa, portanto, considerar que a oferta efetiva é nacional, não local.

Hexes "oceano azul" combinam n_ti acima da mediana com n_contadores abaixo da mediana, e é onde a aquisição digital tende a ter menor CAC orgânico. Detalhamento metodológico em Oceano azul: onde a Contabilizei tem mercado e poucos contadores (Brasil, 2026-03).

Impacto da Reforma Tributária estimativa preliminar

TI não foi listada entre os regimes diferenciados/reduzidos da LC 214/2025 — segue na alíquota-padrão estimada em 26,5% (IBS 17,7 + CBS 8,8). Como o setor é altamente intensivo em mão-de-obra (sem créditos relevantes de IBS/CBS na entrada), a carga efetiva sobe bastante para quem está hoje no Lucro Presumido ou no Lucro Real com perfil "consultoria de TI".

No Simples Nacional, a estimativa cont-lab (data/calc_reforma.json) é dura para a faixa inicial: Anexo III com Fator R cumprido salta de 6,0% para 23,85% (delta +17,85 pp) na receita anual de R$ 180 mil. O impacto cai quando o sublimite estadual do Simples permanece (R$ 4,8 mi/ano) — empresas próximas do teto ainda devem ganhar com o regime simplificado, mas a faixa de R$ 180 mil/ano enfrenta repasse de carga relevante para clientes finais.

O efeito líquido depende de: (a) sublimite estadual final de IBS para Simples; (b) regra de crédito de IBS/CBS pelo cliente PJ contratante (que deve compensar parte do repasse); (c) tratamento da exportação de software, hoje desonerada. Estimativa preliminar sujeita a revisão conforme a Lei Ordinária complementar saia.

→ Simular o impacto no seu caso

Posts do cont-lab sobre este setor

Fontes

Dados: RFB CNPJ 2026-03 via Nextcloud SERPRO+ (pipelines/lib/cnpj_rfb.py) · grade H3 res 7 (data/spatial/h3_res7_oceanos_2026-03.parquet) · BCB SGS para macro PME · taxonomia CNAE em pipelines/lib/cnae_alvo.py (conjunto CNAES_TI_J).
Legislação: LC 214/2025 (Reforma Tributária — alíquota padrão); LC 123/2006 (Simples Nacional, Anexos III e V, Fator R); RIR/2018 para Lucro Presumido; Lei 11.196/2005 (Lei do Bem) para incentivos a inovação.